NUTRIENTES FITOQUÍMICOS vs. DOENÇAS CARDIOVASCULARES



13 de agosto de 2019

MUITO ALÉM DOS NUTRIENTES: O PAPEL DOS FITOQUÍMICOS CONTRA DOENÇAS CARDIOVASCULARES

As doenças cardiovasculares ainda são as principais causas de morte no mundo. Estudos feitos demonstram que o consumo regular de frutas, verduras e grãos integrais reduz a incidência de doenças crônicas e constitui estratégia efetiva, eficiente e segura para a redução da incidência de doenças crônicas. Compostos fitoquímicos presentes nos alimentos proporcionam benefícios que vão muito além da nutrição básica.

 

FITOQUÍMICOS

Fitoquímicos são elementos químicos, não nutrientes, de origem vegetal, encontrados em frutas, verduras, leguminosas, grãos e outros tecidos vegetais, e que apresentam atividade biológica. Mais de 5.000 fitoquímicos já foram identificados e estudados, mas a grande maioria permanece desconhecida. Os fitoquímicos se apresentam em composição e quantidade extremamente variável nos alimentos.

 

BENEFÍCIOS DAS DIETAS RICAS EM FITOQUÍMICOS

Constantemente, a nossa intimidade celular enfrenta agentes oxidantes; muitas vezes, a exposição é inevitável e até necessária para a continuidade da vida. Esses agentes podem estar presentes no ar, na água, na comida, ou serem produzidos pela própria atividade metabólica das células. O desequilíbrio causado pelo excesso desses agentes gera estresse oxidativo, favorece infecções e infestações, gera dano oxidativo em proteínas, lipídeos e no DNA, resultando no aumento do risco de neoplasias e de doenças cardiovasculares. Portanto, o consumo de antioxidantes pode prevenir ou minimizar o estresse oxidativo. Vegetais, frutas, verduras e grãos integrais contêm grande quantidade de compostos fitoquímicos com ação antioxidante; entre estes, os grupos fenólicos e carotenoides demonstraram proteger os sistemas celulares do dano oxidativo e reduzir o risco de doenças crônicas.

Os fitoquímicos podem ser classificados, quanto à estrutura química.

 

O PAPEL DOS FITOQUÍMICOS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Existem evidências epidemiológicas da associação entre o consumo regular de alimentos integrais e a redução de risco e de mortalidade por doenças cardiovasculares. Desta vez, o mecanismo proposto para os efeitos antioxidantes das frutas e verduras envolve a prevenção ou a redução da aterosclerose (Acúmulo de gorduras, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias e dentro delas).

Contudo, os esforços para identificar e isolar os compostos responsáveis pela prevenção das doenças crônicas ainda são frustros e inconsistentes. A suplementação com fitoquímicos isolados não reproduz os resultados observados com os alimentos integrais.

As diferentes espécies de vegetais apresentam uma grande variação na composição e uma ampla gama de compostos fitoquímicos conhecidos e ainda não identificados. Portanto, sustentam os mesmos autores que, para auferir o maior benefício possível devemos consumir uma grande diversidade de compostos antioxidantes de fontes vegetais, como frutas, verduras e grãos integrais de diversas cores e tonalidades.

Vale lembrar que os benefícios do consumo de alimentos integrais não se limitam à prevenção das neoplasias e das doenças cardiovasculares, existem evidências de diminuição do risco de cataratas, degeneração macular, diabetes tipo II, obesidade e doenças neurodegenerativas

 

CONCLUSÃO

A alteração de hábitos alimentares para garantir consumo adequado de frutas, verduras e grãos integrais constitui estratégia eficaz, efetiva, eficiente e segura para diminuir o risco de doenças crônicas. Por outro lado, apesar da crescente demanda de mercado, as intervenções com suplementos e nutracêuticos ainda não conseguiram demonstrar eficácia, segurança e, portanto, necessitam de mais pesquisas clínicas em humanos.

Os efeitos aditivos e sinérgicos do conjunto de fitoquímicos que compõem os alimentos integrais são responsáveis pelas atividades antioxidantes, anti-inflamatórias e antiproliferativas que resultam na redução da incidência de neoplasias, doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, doenças neurodegenerativas, entre outras. A melhor estratégia para maximizar estes efeitos benéficos é o consumo regular de uma grande variedade de alimentos vegetais com várias tonalidades e colorações.

 

REFERÊNCIAS

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